Future Frames is an exhibition made up of hypertexts, a medley of quotations, hyperboles and the reflection of nowadays' constant excess of information. This exhibition was purposely designed for PanoramAH! and is divided into two different layers. Featured in Espaços&Casas and Sábado. Via Utopia, the main piece was originally hand-drawn in a 60 x 75cm scale. To celebrate Future Frames, there is a limited edition of serigraphs for sale.

 

Via Utopia – Teatrino Scientifico
A see-trough glass complex, composed by six 480 x 400cm blades of printed glass, weighing almost 3000kg. In each blade/layer the drawings propose a different look at the ruins of the present, where the mingle of references and information consume the visitor.

 

Glass Lab
Made up of five different pieces, this part of the exhibition answers the question: "You are in the future. Open the window. What do you see?". Álvaro Domingues, Camilo Rebelo, Mário de Carvalho, Pedro Bandeira and VHILS are part of the cast which inspired me to create these artworks based on their amazing and unexpected visions. There is a Glass Totem, a Glass-Fabric, a Glass Mirrored Box and a Window for the Future... After all, that's what it is about!

 
 

ABSTRACT [PT]

Si worromot tahw wonk uoy oD

O pretexto era pensar o futuro. O resultado: uma promenade impossível através das ruínas do presente. Mais do que a tentadora visão fantástica de estilo futurista, a Via Utopia é uma megalómana vista de um presente esquizofrénico em permanente acumulação acrítica, e a constatação da impossibilidade do processamento dessa profusão de informação pelo homem contemporâneo. 

Tal como na original, também nesta assumida revisitação da Via Appia de Piranesi se olha para o passado, o que varia são os pontos de partida. A imagem de Piranesi lança um melancólico olhar em direção ao que já foi, alinhando as ruínas de forma dramática num percurso carregado de simbolismo. Na Via Utopia, o simbólico dá lugar ao omnipresente, e o percurso constrói-se pela absurda justaposição de realidades desconexas, porque a viagem não tem horizonte definido. Olhamos as intermitências do presente a partir de um futuro deslocado. Sem lugar e sem tempo.  

A Via Utopia lida com a impossibilidade de recuarmos nos caminhos estreitos entre planos de vidro vertiginosos, numa busca pela imagem total, que se perdeu desde a chegada. É impossível percorrer a via em linha reta, em direção ao destino, é uma ilusão de vidro que se desfoca e se desfasa com o simples movimento do nosso corpo. A verdade é que a imagem nem sequer existe, tão pouco o desenho como um todo. A sobreposição dos layers é vislumbrada como uma imagem total apenas a partir de uma posição relativa, e, num breve relance, como uma miragem fugaz. A partir daí, resta entrar na peça, deixar a imagem totalizante para trás, e porventura tentar encontrar algum sentido nas hiperbólicas e incessantes citações desenhadas nos frames.

Será este o final da utopia? Um mundo que consegue esgotar a sua capacidade carnívora de consumir informação e tornar tudo irrelevante. Um mundo que, pela acumulação, extingue a sua própria capacidade de perceção e regeneração. Um mundo com o news feed encravado. Um mundo sem um único espaço vazio. Talvez seja esta apenas a distopia e que do outro lado do vidro haja ainda perguntas capitais por fazer. Será que conseguimos imaginar um mundo sem uma alternância entre opacidades e transparências? 

Ana Aragão